segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Te esperei a semana inteira, como uma criança espera o natal. Perdi o sono, perdi a calma. Vigiei o telefone, o email, a caixa de correios.Procurei o tom exato dos seus olhos em todos que encontrava pelas ruas. Mas parece que não existe outros olhos como os seus. Intensos assim, profundos assim. 

Esperei o gosto doce do seu beijo, mas tive que me contentar em tomar um sorvete. Contei as horas pra sentir o calor do seu abraço, mesmo estando quente o suficiente para nem pensar em um cobertor.

No dia em que disse que viria, acordei cedo, botei o vestido florido e o perfume de cerejas. Te esperei na janela. Impaciente com o tiquetaquear do relógio. À medida que o tempo passava, eu me desesperava. Bem-me-quer-mal-me-quer. Mais uma margarida despetalada. Tic-tac. Tic-tac. Fiz simpatia pra santo Antônio naqueles minutos intermináveis. Andei de um lado pro outro. Do outro pro um. Nada fazia o tempo passar. Cantei mentalmente todas as músicas que você disse que gostava. De um lado pro outro. Do outro pro um. Nada, nada.


Começo a pensar se se atrasou. Será que esqueceu? De vir ou de mim? De um lado pro outro. Do outro pro um. Na rua, passa um ônibus. O homem não chegou a tempo. Corre gritando o motorista.Tudo em vão. De lado pro outro, do outro pro um. Do outro lado da rua, a senhora me deseja bom dia e me pergunta onde fica uma rua qualquer. 

Tic-tac. Tic-tac. Meia hora de espera. Meus pés doem. Me debruço na janela, esticando a vista ao máximo. Cadê você? Bem-me-quer-mal-me-quer. Mal me quer. Não me quer. Nunca quis.

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