Te esperei a semana inteira, como uma criança espera o
natal. Perdi o sono, perdi a calma. Vigiei o telefone, o email, a caixa de
correios.Procurei o tom exato dos seus olhos em todos que encontrava pelas
ruas. Mas parece que não existe outros olhos como os seus. Intensos assim,
profundos assim.
Esperei o gosto doce do seu beijo, mas tive que me contentar
em tomar um sorvete. Contei as horas pra sentir o calor do seu abraço, mesmo
estando quente o suficiente para nem pensar em um cobertor.
No dia em que disse que viria, acordei cedo, botei o vestido
florido e o perfume de cerejas. Te esperei na janela. Impaciente com o
tiquetaquear do relógio. À medida que o tempo passava, eu me desesperava. Bem-me-quer-mal-me-quer.
Mais uma margarida despetalada. Tic-tac. Tic-tac. Fiz simpatia pra santo
Antônio naqueles minutos intermináveis. Andei de um lado pro outro. Do outro
pro um. Nada fazia o tempo passar. Cantei mentalmente todas as músicas que você
disse que gostava. De um lado pro outro. Do outro pro um. Nada, nada.
Começo a pensar se se atrasou. Será que esqueceu? De vir ou
de mim? De um lado pro outro. Do outro pro um. Na rua, passa um ônibus. O
homem não chegou a tempo. Corre gritando o motorista.Tudo em vão. De lado pro
outro, do outro pro um. Do outro lado da rua, a senhora me deseja bom dia e me
pergunta onde fica uma rua qualquer.
Tic-tac. Tic-tac. Meia hora de espera.
Meus pés doem. Me debruço na janela, esticando a vista ao máximo. Cadê você?
Bem-me-quer-mal-me-quer. Mal me quer. Não me quer. Nunca quis.
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