quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Junto com os primeiros raios de sol daquele dia quente, Nina acordou. Remexeu na cama e, como fazia todos os dias, fez uma lista mental de tudo que deveria fazer.Naquele dia, era como se tivesse uma obrigação de por sua vida nos eixos, deixar os problemas de lado e estar inteiramente feliz. Nina sabia que não era capaz de nada. Ainda deitada na cama, ela fechou os olhos e chorou. Feito criança. 

Lembrou-se de quando tinha 5 anos. A pequena Nina tinha passado o dia correndo e brincando pela casa. Já não se importava com as cascas dos machucados nos joelhos. À noite, cismou que ouviu um som no quarto. Os pais passaram horas tentando acalmar a menina.Todos esses esforços foram em vão: caiu no choro e não houve santo que a fizera parar.Soluçava, se debatia, esperneava, perdia o ar. 20 anos depois, Nina chorava de novo.Assim como naquele dia,sabia que não havia ninguém no mundo capaz de entendê-la.

Respirando fundo e fazendo um esforço surreal, Nina se levantou e tentou ir até a cozinha. Deu um salto e, de galope, voltou para a cama. 

Ela estava mais que acostumada a relevar os erros dos outros. Afinal, todo mundo erra. Aos 25 anos, já havia perdido a conta de quantas lágrimas derramou por conta do descuido, stress e falta de atenção alheios. Mas suas faltas pareciam não ter perdão. Para Nina, tudo isso fazia parte daquela doença chamada amor. Durante um tempo, se considerou curada. Vivia tranquila, sem se importar com as cicatrizes de antes. Mas agora, digeria um novo golpe. Jamais, JAMAIS, pensou que ele poderia magoá-la tanto. Os outros sim, ele não. Nina sentia que o mundo todo ria daquela doce ilusão que criara.

A cabeça doía e Nina finalmente sentiu fome. Comeu qualquer coisa e saiu. Pelas próximas horas, ninguém, nem mesmo ele, saberia de sua dor.   

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