quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

O despertador tocou quando comecei a pegar no sono. Me revirei na cama. Quando abri os olhos de novo, já estava atrasada. Levei cerca de vinte minutos para encontrar o pé direito do chinelo que, sabe-se lá porquê, tinha parado debaixo da cama. Chegando na cozinha, resolvi tomar um café. Solúvel. Só aí já dava pra ter certeza de quão ruim ia ser o dia. Botei um copo com água na caneca. Peguei o vidro do café. Antes que o microondas avisasse que minha água estava quente, lá estava eu, enchendo um segundo copo de água para fazer café.

Botei o copo num canto. Dei um gole no café e queimei a língua. Mal conseguia falar. Voltei pro quarto para trocar de roupa. Não acho a blusa que queria. Mas vai essa mesmo. Escovando os dentes, derrubo pasta de dente na blusa que já era estepe. Preciso me trocar de novo. O relógio do vizinho desperta. Já deveria estar na rua. Saio correndo para não perder o ônibus. Me senti numa maratona. 

Até que: ops, tinha uma pedra no caminho. CATAPLOFT. Caio com tudo e quando tento me levantar percebo meu pé dói. Devo ter torcido. Antes que eu pudesse olhar, o ônibus chega no ponto. Começo a gritar pro motorista esperar. Vou andando puxando o pé o mais rápido possível. Quando entro no ônibus, ouço alguém resmungar. 

6 da manhã. Ônibus lotado. Parecia não ter lugar nem pra respirar. Depois de quase entrar em luta corporal por espaço, finalmente desce uma multidão e consigo me sentar. Depois de meia hora de dor, poderia examinar meu pé. À essa altura, o inchaço transformou meu pé em um pão. Percebo que fui para o trabalho calçando meus chinelos - pelo menos ia poder falar que é por causado pé torcido. No trabalho ninguém notou minha cara de dor.

Na volta pra casa, mais uma luta por espaço. Só me faltava um engarrafamento. Putz, não falta mais. O tempo foi passando e surgiu aquele sentimento incontrolável: vontade de fazer xixi. Meia hora mais tarde do que deveria, desço do ponto, louca por um banheiro. Logo avisto um sujeito vindo em minha direção. Por alguma razão que até mesmo o diabo deve desconhecer, o dito cujo acha que tem o direito de me chamar de gostosa.

Enfurecida, mostro o dedo do meio. Ele resmunga alguma coisa que, com medo da reação dele, sequer ouvi. Finalmente chego no meu portão. Na porta de casa, aquele habitual medinho de ter perdido a chave e de estar trancada do lado de fora. Acontece umas quatro vezes por semana. Entro correndo em casa.Nessas circunstâncias uma coisa é certa: o banheiro vai estar ocupado.Antes que pudesse bater na porta, a pessoa abre o chuveiro.Me contorço por mais alguns minutos.

Passado o aperto, finalmente poderia comer alguma coisa. Depois de um tempo pensando, me decidi pelo clássico arroz com feijão. Foi aí que descobri que o gás acabou. Achei melhor optar por um biscoitinho - light, integral e sem açúcar- e ir tomar um banho.A água quentinha escorrendo pelo corpo. Ah, poderia ficar ali pra sempre. Isso se o chuveiro não queimasse. Tava ali com shampoo no cabelo e a água fria. Tomei banho rezando pra não ter uma hipotermia.


Ainda era cedo mas resolvi que já tinha vivido emoções de mais por um dia. Botei meu pijaminha, puxei meu edredom e fui dormir. Caí no sono e o telefone toca. No fim da conversa, o telefone cai na minha cara. Brigo com o aparelho. Foi quando pude ver que dia era e fiquei tranquila. Não era sexta-feira treze nem nada, mas aquele dia acolhedor chamado véspera de férias.

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