segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Um bichinho chamado apego ou os foras que a vida nos dá ou ainda como perder seu rumo com uma frase curta


Cheguei da rua cheirando à cerveja. Isso quase nunca acontecia. Fui embora cedo. Queria ter me demorado mais, mas eu tinha fome. Como eu tinha fome.

O telefone tocou e eu ouvi meia dúzia de palavras que colocaram fim a uma história complexa. Fiquei sem chão. Me sentei. Precisava respirar. Tudo aquilo que foi construído, desabou. Fiquei levemente tonta e passei a não ouvir mais nada.

Um filme rápido passou em minha cabeça. Senti um gosto amargo na boca. Rapidamente, a canção alegre que tocava se transformou. Fiquei me perguntando por quê.

A gente se apega rápido a determinadas pessoas. Rápido demais. E muito. Fico me perguntando quando eu vou aprender a não criar expectativas em cima das pessoas. Em menos de 24 horas, ouvi mais não-fica-assim-esquece-vai-ficar-tudo-bem do que deveria. Cansei de ouvir você-vai-encontrar-alguém-que-gosta-de-você-sempre-tem-uma-tampa-pra-cada-panela, ignorando a questão das frigideiras.

Cheguei da rua cheirando à cerveja. Queria ter ficado mais. Queria não ter ido a lugar nenhum. Não senti mais fome. À priori, não senti mais nada.

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