Cheguei da rua cheirando à
cerveja. Isso quase nunca acontecia. Fui embora cedo. Queria ter me demorado
mais, mas eu tinha fome. Como eu tinha fome.
O telefone tocou e eu ouvi meia
dúzia de palavras que colocaram fim a uma história complexa. Fiquei sem chão. Me
sentei. Precisava respirar. Tudo aquilo que foi construído, desabou. Fiquei levemente
tonta e passei a não ouvir mais nada.
Um filme rápido passou em minha
cabeça. Senti um gosto amargo na boca. Rapidamente, a canção alegre que tocava
se transformou. Fiquei me perguntando por quê.
A gente se apega rápido a
determinadas pessoas. Rápido demais. E muito. Fico me perguntando quando eu vou
aprender a não criar expectativas em cima das pessoas. Em menos de 24 horas,
ouvi mais não-fica-assim-esquece-vai-ficar-tudo-bem do que deveria. Cansei de
ouvir
você-vai-encontrar-alguém-que-gosta-de-você-sempre-tem-uma-tampa-pra-cada-panela,
ignorando a questão das frigideiras.
Cheguei da rua cheirando à
cerveja. Queria ter ficado mais. Queria não ter ido a lugar nenhum. Não senti
mais fome. À priori, não senti mais nada.