Detesto o gosto de álcool. E cheiro de cigarro. E filmes
cults. Detesto muito mais gente pseudo-cult. E os pseudo-bêbados. Gente pseudo alguma coisa de forma geral. Por que tanta gente precisa vender um estilo
de vida que não é seu?
Confesso que muitas vezes não estou satisfeita comigo: Detesto
o meu corpo, o meu cabelo (por que não sou como a Jennifer Aniston?) e minha
inteligência abaixo da média que não me deixa entender, entre outras coisas, o
porquê de tanta gente vender um estilo de vida que não é seu. Às vezes, pode
acontecer de eu vender um estilo de vida que não é meu. Não sou a melhor pessoa
do mundo.
Necessito ter o controle da situação. Detesto me apaixonar.
Perco o controle. A direção. As estribeiras. Acho um saco pensar o dia todo em
alguém. O dia todo. Sonhar com o mesmo
alguém todas as noites. É como se tudo
que eu fizesse, ganhasse uma parcela de você. E, a cada dia, essa parcela tem
que ser maior.
Mas como fazer pra parar tudo isso? A única certeza é que
seu olhar me faz bem. Suas palavras, sua
voz. E você nem era isso tudo no começo. Não tem nenhum botão de desligar? Ah,
deve ser minha cabeça que anda meio vazia....
Não é que eu não goste de casais apaixonados. Eu até choro lendo romances e vendo comedias românticas.
Acontece é que eu tenho preguiça. Muita preguiça. Parece que saem coraçõezinhos
por aí. Ok, admito: tenho uma pontinha de inveja. O negocio é que eu sempre estou sozinha. Será
que eu sou assim tão estranha?
Uma vez recebi um conselho de que talvez eu devesse escolher
menos. Sim, talvez o problema esteja comigo. Talvez. Mas talvez não seja eu que
escolha demais.
Eu já não espero um homem perfeito. Aliás, eu não acho que
exista alma gêmea. Pelo menos não para todos. Tem muita gente sozinha e não é
por opção.
Será que existe alguém pra mim? Talvez eu o encontre em um
dia desses. Provavelmente, eu estarei desarrumada, de cabelo assanhado e com
cara de sono. Talvez ele não se importe. Talvez.
Talvez eu já o tenha encontrado. Numa esquina qualquer, na
rua, no caminho pra aula... Talvez eu estivesse desarrumada e não chamei sua
atenção. Talvez. Já pensou? Talvez a gente nem tenha se reconhecido.
Talvez ERA pra eu o ter encontrado. Naqueles cinco minutos
que atrasei. Se tivesse saído na hora, talvez tivesse esbarrado nele. Ou naquele
dia que sai mais cedo. Ou quando não prestei atenção na rua. Ou ainda quando eu
mudei o caminho. É... Talvez.
Agora, convenhamos: se realmente existir alguém pra mim,
qual a probabilidade de darmos certo? Espere até ele me ouvir reclamar e me ver
de TPM.
Ok. Eu deveria me controlar e ele também. Tem gente que fica
a vida inteira junto. Por que comigo daria errado?
Tem gente que não consegue manter um relacionamento. Por que
comigo daria certo?
Devo ser especialista em paixões platônicas. Estas não deveriam
ser consideradas paixões. É só um modo tosco de ruborizar quando se vê alguém e
não conseguir falar nada. Vai por mim: não é nada bom.
Por que não tento fazer acontecer? Desculpe, mas é difícil tomar
alguma atitude com a cara queimando de vergonha. Aliás, não acho que é meu
dever ter atitude. Desculpe, é o que eu acho.
Paixões platônicas não me ajudam em nada. É a única coisa
que tenho certeza de afirmar hoje em dia. Mas antes que vocês digam alguma
coisa, sim, eu ainda acredito no amor. Quem sabe, não é?
Doze de junho. Dia dos namorados. Reza a lenda que as
pessoas comemoram alguma coisa nesse dia. Reza a lenda.
P.S.: Juro que a intenção era acabar o texto há uns dois parágrafos. Na verdade, o texto não tem um “i” do texto que eu pretendia, mas o grand finale vai ser o mesmo. Com vocês, uma música pra ilustrar e um grande abraço de dia dos namorados.
Hoje a tristeza veio me visitar
Me contou que pretende me matar
Aos poucos
Levar um pouco de mim a cada dia.
E você?
Onde está?
Eu me abriria pra você
Se eu pudesse,
Se você me permitisse.
As lagrimas caem
Sem um porquê aparente.
E só agora me dou conta
De quão feio foi o dia,
Combina perfeitamente com o que eu sinto.
E a cozinha me parece
Tão atraente...
Alguém deveria me ensinar como se cura a carência. Droga! Tá
ficando cada vez mais difícil.
Faz muito tempo que eu me prometi que eu não iria mais pensar
em você. Mas a imagem de nós dois não sai mais da minha cabeça. Droga! Tá ficando
cada vez mais difícil.
O clima vem ficando cada vez mais desfavorável: inverno, carência
e solidão. E saudade. Os casais apaixonados nas ruas e alguém me pedindo um
sorriso também não ajudam muito. Droga! Tá ficando cada vez mais difícil.
Alguém deveria me ensinar como curar a carência. Sem ter que
me arrepender depois. Alguém deveria me dizer que vai ficar tudo bem. E me
oferecer um ombro. E um colo. E um abraço. E (por que não? Quem sabe?) um pouco
de amor.
Enquanto esse alguém não aparece, vou ficar aqui, pensando
em uma maneira de não mais pensar em você, do frio se amenizar e esperar até
outra obsessão começar.