A menina chegou e afundou-se em uma cadeira da sala de espera. Detestava esperar. A sala estava quase cheia e a televisão ligada. As vozes das outras pessoas suplantavam o áudio da TV. Tentou prestar atenção. Murmurou que preferia ver o jornal. Não sabia se tinha mais medo ou mais dor. Aquela menina era eu. Naquela sala de espera, eu era uma criança amedrontada. A cabeça girava. Talvez sentisse mais medo do que dor.
A sala foi ficando cada vez mais cheia. Aquele tipo de situação me constrangia. Resolvi me concentrar e tentar ouvir o barulho da TV. Palhaços. Preferia o jornal.
Meu sono aumentava à medida em que as pessoas eram chamadas. A sala foi ficando vazia. Minha barriga foi ficando gelada.
Havia um senhor que não parava quieto. Ria, andava. Parecia nervoso. Mais que eu.
Me revirei mais uma vez na cadeira. Cantarolei, mentalmente, uma canção qualquer. Nada adiantava.
Era uma bobagem estar nervosa. Eu já sabia o que o médico ia dizer e que remédio ele me daria. Bendita internet.
Bati meu pé no chão insistentemente. Num piscar de olhos, fiquei só na sala. Comecei a me lembrar daquele sorriso. Por um instante, fiquei tranquila. Por um micro-segundo. E foi o máximo que consegui me acalmar.
Dei um pulo. Não podia me acalmar me lembrando daquele sorriso. Justo AQUELE sorriso. Não era certo. Fiquei ali me censurando por mais alguns instantes. Embebida em meus pensamentos. Ali, sentada naquela cadeira desconfortável, envolta em meus medos. Todos eles. Até que a secretária gritou meu nome. Enfim seria atendida.
Juro que procurei no Google pra ver se achava o autor da
frase. Parece coisa da Ana Maria Braga ou de um livro de autoajuda qualquer.
De
toda maneira, é uma daquelas frases que parecem falar uma coisa aparentemente
profunda, mas analisando bem, não passa de um daqueles clichês que aceitamos
sem pensar.
À primeira vista, me parece ser uma das frases pra mostrar
que as coisas simples da vida que valem a pena. Ser feliz é mais importante que
tudo e blá, blá, blá. Não que eu discorde, mas enfim.
Mas porque diabos tenho que escolher? Por que eu não posso
ter os dois? Pra mim, esse negócio de ter isto ou aquilo só fica bem em poema
da Cecília Meireles.
Se eu prefiro ter
razão ou ser feliz? Na dúvida, eu fico com a sorte.
Eu sou controladora, obsessiva, compulsiva. Se eu preciso
ter razão? Claro que sim.
Ao mesmo tempo em que sou insegura com relação a relações e
pessoas. Busco a felicidade em cada
passo. De forma geral, acho que o ser humano busca a felicidade. Sim, Louro José,
eu preciso ser feliz.
Mas se eu não tiver a razão, dificilmente conseguirei ser
feliz. Pra mim, razão e felicidade andam juntas.
Pode até ser que a vida não me reserve nem razão nem felicidade, mas no fundo, eu prefiro tentar ter as duas.
Não sei bem se acredito em destino, sorte, horóscopo e tudo
mais. Acho que tudo ocorre por uma razão, tudo tem uma lógica, mesmo que, à
primeira vista, a vida não pareça ter sentido.
Imediatamente me lembro de que lágrimas já rolaram na minha
face sem eu mesma saber o porquê. Ele tinha mais motivos. Mas e eu?
Ele me ensinou a gostar de brilho nos olhos e sorrisos. Eu passei
a procurar os olhos e os lábios dele em todos os lugares. Foi então que ele me
disse tchau.
A vida me trouxe e me tirou pessoas. Creio que tudo tem uma
razão. Mesmo que eu não saiba qual é. Tudo tem uma lógica. Talvez esta seja
divina.
Ele foi o único pelo qual chorei, mas não é ele que tem
habitado meus sonhos. Não mais. Ele deu espaço a “um querer- não querer” que
vem me atormentando cada vez mais. Ele me disse tchau e meu mundo foi ao chão. Busquei
o brilho do seu olhar em outros olhos e acabei achando um sorriso que me faz
corar toda vez que vejo.
Olhando de fora, é impossível entender porque eu me apeguei
tanto assim. Talvez seja uma dessas coisas que tem uma lógica indecifrável. Talvez
a razão seja você.
A vida acadêmica me trouxe uma professora um tanto quanto
arrogante de sociologia. Deve ter sido a primeira vez que tive uma aula de
sociologia de verdade. Uma vez, a tal professora disse que não há pressão da
sociedade perante o casamento. Não creio que uma cidade universitária seja
assim tão avançada. Talvez ela ache que não pertence ao Brasil. Ou ao planeta
Terra.
Sinceramente? Que mulher nunca se sentiu chateada por ser
solteira? Acho que é sim muita hipocrisia da sociedade aceitar um homem que
nunca quis se casar e ter tanto preconceito em relação às mulheres. Ô fessora, basta só olhar pela janela pra
ver que a nossa sociedade é machista sim.
Não sou diferente. Acho que nunca consegui esconder de ninguém
que sou romântica. E, sim, eu quero me casar. É óbvio que quando me imagino
entrar na igreja, não vejo rosto no “meu
noivo”.
A ideia de casamento me tocou vendo o clipe novo do Marcelo Jeneci,
Pra sonhar. Um clipe todo fofinho, escancarando felicidade de vários casais por
aí.
Hoje de manhã eu acordei de lápis de cor e papel na mão com
uma vontade imensa de desenhar... vestido de noiva. Que me desculpem as moderninhas!
Eu sou romântica.
Enquanto o lápis corria
pelo papel, eu pensava que provavelmente nunca iria usar um vestido como
aquele: segundo dados não oficiais, eu acho, existem mais mulheres que homens e
desses homens 10% são gays.
Ou seja, só sobram 90% que são disputados a tapa. Dentre
esses, devem existir uns 15% que não querem relacionamento sério. Olhando pro
espelho, vejo que existem mulheres muito mais interessantes que eu. Desculpa aí, galera da autoajuda. Eu penso
assim.
No fim só posso concordar com a Rita Lee: Ai de mim que sou romântica.
Ando com um bloqueio criativo. É que tô preocupada com umas coisinhas importantes por agora. Mas tô sempre embalada por música. Aqui vão algumas que tem me embalado ultimamente:
1) Velha e Louca, da Mallu Magalhães. ( que é impossível ouvir sem lembrar da Fabíola)
Eu nem sou fã da Mallu, nem nada. Mas essa música vem rolando sempre no celular
2) Pra sonhar, do Marcelo Jeneci
A música mas ternura da playlist. Venho ouvindo ela há um tempão, mas ela não sai da minha cabeça. O clipe é novo ainda e como é lindo. Dica pros apaixonados. *--*
3) Pumpkin Soup, da Kate diva Nash
A música rolou muito tempo atrás no mp4, mas tem voltado bastante. Com um clipe bem fofinho também. Sem mais: Kate é diva ;D
4) Nosso Pequeno Castelo, d' O Teatro Mágico
Depois de "Quermesse" (que precisa urgentemente de clipe) é a melhor música do CD novo a banda. Clipe na praia, todo alegrinho. Como não amar?
5) Time After Time, do Quietdrive
Sim, um cover. Assim como a Kate, a música tá voltando à minha playlist. A versão original, com a Cindy Lauper, é diva também. Amando as duas.
Qual a opinião de vocês?
E aqui temos 10 músicas que andam na minha cabeça. E um blog repaginado.
Agradecimentos aos queridos Ana Mayrink, Mariana Rocha e Matheus Damasceno.
Ok, eu sei que chamar um post comemorativo de post comemorativo não o torna muito comemorativo (HAHA). Mas enfim, dia 13 de julho, além de ser dia do rock, é aniversário do blog. E a data merece sim uma postagem especial. E como eu me encontro em um bom momento, eu resolvi que hoje serão postados dois posts, já que o Six Feet tá comemorando dois anos de vida.
Então, ligue o som no último volume e venha comemorar comigo, porque hoje é dia de "festa"! ;D
Mudança de planos
Juro que não queria mais fazer as malas. Tava me acostumando
com a ideia de ficar ali com todas aquelas caras estranhas. Já não eram mais
assim tão estranhas. Algumas já me pareciam tão amigas.
Juro que não queria.
Mas jurei a mim mesma que deveria seguir aquele sonho. Se ficasse, jamais
saberei como teria sido. Mas vai estranho não te ter por perto.
Juro que não queria fazer as malas. Mas eu já jurei tantas
coisas. Já fui tanta gente. E já fui
ninguém.
Juro que não sabia que queria ir. Juro que vou levar a
melhor parte de tudo. Juro que não vou esquecer aquele sorriso. Assim como eu
já jurei não me esquecer de você.
Quanto vale um sonho?
Tão impossível calcular quanto o valor de uma vida. É por isso, e só, que estou
de novo fazendo as malas. É por apostar todas as fichas num futuro que só Deus
conhece.
Detesto o gosto de álcool. E cheiro de cigarro. E filmes
cults. Detesto muito mais gente pseudo-cult. E os pseudo-bêbados. Gente pseudo alguma coisa de forma geral. Por que tanta gente precisa vender um estilo
de vida que não é seu?
Confesso que muitas vezes não estou satisfeita comigo: Detesto
o meu corpo, o meu cabelo (por que não sou como a Jennifer Aniston?) e minha
inteligência abaixo da média que não me deixa entender, entre outras coisas, o
porquê de tanta gente vender um estilo de vida que não é seu. Às vezes, pode
acontecer de eu vender um estilo de vida que não é meu. Não sou a melhor pessoa
do mundo.
Necessito ter o controle da situação. Detesto me apaixonar.
Perco o controle. A direção. As estribeiras. Acho um saco pensar o dia todo em
alguém. O dia todo. Sonhar com o mesmo
alguém todas as noites. É como se tudo
que eu fizesse, ganhasse uma parcela de você. E, a cada dia, essa parcela tem
que ser maior.
Mas como fazer pra parar tudo isso? A única certeza é que
seu olhar me faz bem. Suas palavras, sua
voz. E você nem era isso tudo no começo. Não tem nenhum botão de desligar? Ah,
deve ser minha cabeça que anda meio vazia....
Não é que eu não goste de casais apaixonados. Eu até choro lendo romances e vendo comedias românticas.
Acontece é que eu tenho preguiça. Muita preguiça. Parece que saem coraçõezinhos
por aí. Ok, admito: tenho uma pontinha de inveja. O negocio é que eu sempre estou sozinha. Será
que eu sou assim tão estranha?
Uma vez recebi um conselho de que talvez eu devesse escolher
menos. Sim, talvez o problema esteja comigo. Talvez. Mas talvez não seja eu que
escolha demais.
Eu já não espero um homem perfeito. Aliás, eu não acho que
exista alma gêmea. Pelo menos não para todos. Tem muita gente sozinha e não é
por opção.
Será que existe alguém pra mim? Talvez eu o encontre em um
dia desses. Provavelmente, eu estarei desarrumada, de cabelo assanhado e com
cara de sono. Talvez ele não se importe. Talvez.
Talvez eu já o tenha encontrado. Numa esquina qualquer, na
rua, no caminho pra aula... Talvez eu estivesse desarrumada e não chamei sua
atenção. Talvez. Já pensou? Talvez a gente nem tenha se reconhecido.
Talvez ERA pra eu o ter encontrado. Naqueles cinco minutos
que atrasei. Se tivesse saído na hora, talvez tivesse esbarrado nele. Ou naquele
dia que sai mais cedo. Ou quando não prestei atenção na rua. Ou ainda quando eu
mudei o caminho. É... Talvez.
Agora, convenhamos: se realmente existir alguém pra mim,
qual a probabilidade de darmos certo? Espere até ele me ouvir reclamar e me ver
de TPM.
Ok. Eu deveria me controlar e ele também. Tem gente que fica
a vida inteira junto. Por que comigo daria errado?
Tem gente que não consegue manter um relacionamento. Por que
comigo daria certo?
Devo ser especialista em paixões platônicas. Estas não deveriam
ser consideradas paixões. É só um modo tosco de ruborizar quando se vê alguém e
não conseguir falar nada. Vai por mim: não é nada bom.
Por que não tento fazer acontecer? Desculpe, mas é difícil tomar
alguma atitude com a cara queimando de vergonha. Aliás, não acho que é meu
dever ter atitude. Desculpe, é o que eu acho.
Paixões platônicas não me ajudam em nada. É a única coisa
que tenho certeza de afirmar hoje em dia. Mas antes que vocês digam alguma
coisa, sim, eu ainda acredito no amor. Quem sabe, não é?
Doze de junho. Dia dos namorados. Reza a lenda que as
pessoas comemoram alguma coisa nesse dia. Reza a lenda.
P.S.: Juro que a intenção era acabar o texto há uns dois parágrafos. Na verdade, o texto não tem um “i” do texto que eu pretendia, mas o grand finale vai ser o mesmo. Com vocês, uma música pra ilustrar e um grande abraço de dia dos namorados.
Hoje a tristeza veio me visitar
Me contou que pretende me matar
Aos poucos
Levar um pouco de mim a cada dia.
E você?
Onde está?
Eu me abriria pra você
Se eu pudesse,
Se você me permitisse.
As lagrimas caem
Sem um porquê aparente.
E só agora me dou conta
De quão feio foi o dia,
Combina perfeitamente com o que eu sinto.
E a cozinha me parece
Tão atraente...
Alguém deveria me ensinar como se cura a carência. Droga! Tá
ficando cada vez mais difícil.
Faz muito tempo que eu me prometi que eu não iria mais pensar
em você. Mas a imagem de nós dois não sai mais da minha cabeça. Droga! Tá ficando
cada vez mais difícil.
O clima vem ficando cada vez mais desfavorável: inverno, carência
e solidão. E saudade. Os casais apaixonados nas ruas e alguém me pedindo um
sorriso também não ajudam muito. Droga! Tá ficando cada vez mais difícil.
Alguém deveria me ensinar como curar a carência. Sem ter que
me arrepender depois. Alguém deveria me dizer que vai ficar tudo bem. E me
oferecer um ombro. E um colo. E um abraço. E (por que não? Quem sabe?) um pouco
de amor.
Enquanto esse alguém não aparece, vou ficar aqui, pensando
em uma maneira de não mais pensar em você, do frio se amenizar e esperar até
outra obsessão começar.
O mundo continua
E eu aqui tentando me convencer
De que eu não quero você.
Tudo inspira alegria
E eu, de novo, me sentindo estranha.
Não me sentindo parte disso tudo.
Mais um carro passa na rua
E eu continuo a querer sumir daqui.
Você disse que nunca diria adeus,
Mas foi embora mesmo assim.
A vida vai nos levando por caminhos novos,
Tortos.
O que eu queria não é o que eu tenho,
O que eu esperava do futuro se amenizou.
A vida é uma estrada cheia de curvas,
De pausas e de fins.
Às vezes, o ponto final é só o ponto de partida
E aquele olhar que você tanto precisava,
Já não é mais tão essencial assim.
É preciso enfrentar a estrada,
Fazer as curvas, escolher esquinas.
É preciso seguir adiante:
Botar os sonhos na cabeça
E guardar a saudade no coração.
Estranho não conseguir gritar a felicidade.
Quando tá tudo certo, o papel fica em branco.
Quando tá tudo em paz, a alma fica leve demais.
Estranho não desejar mais o impossível.
Abri os olhos e percebi que Deus está comigo:
Me deu mais do que eu merecia
E me tirou o que me fazia mal.
Estranho não querer gritar a felicidade.
Quando tá tudo certo, o papel fica em branco.
A vida lá fora já não me dá tanto medo assim.
Um misto de bravura e plenitude.
Os sonhos continuam sendo alimentados,
Mas os monstros, não.
Um misto de coragem e mansidão.
Nesse novo passo.
Estranho não pensar em você da mesma forma.
O meu mundo girava em torno de você.
E hoje eu sou feliz e só.
Olhando assim de fora, vejo que foi um erro.
Mas ainda não me arrependo.
Estranho o rumo que minha vida anda levando:
Pessoas novas, lugar estranho.
Você ausente.