A sala foi ficando cada vez mais cheia. Aquele tipo de situação me constrangia. Resolvi me concentrar e tentar ouvir o barulho da TV. Palhaços. Preferia o jornal.
Meu sono aumentava à medida em que as pessoas eram chamadas. A sala foi ficando vazia. Minha barriga foi ficando gelada.
Havia um senhor que não parava quieto. Ria, andava. Parecia nervoso. Mais que eu.
Me revirei mais uma vez na cadeira. Cantarolei, mentalmente, uma canção qualquer. Nada adiantava.
Era uma bobagem estar nervosa. Eu já sabia o que o médico ia dizer e que remédio ele me daria. Bendita internet.
Bati meu pé no chão insistentemente. Num piscar de olhos, fiquei só na sala. Comecei a me lembrar daquele sorriso. Por um instante, fiquei tranquila. Por um micro-segundo. E foi o máximo que consegui me acalmar.
Dei um pulo. Não podia me acalmar me lembrando daquele sorriso. Justo AQUELE sorriso. Não era certo. Fiquei ali me censurando por mais alguns instantes. Embebida em meus pensamentos. Ali, sentada naquela cadeira desconfortável, envolta em meus medos. Todos eles. Até que a secretária gritou meu nome. Enfim seria atendida.
