sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A sala de espera

A menina chegou e afundou-se em uma cadeira da sala de espera. Detestava esperar. A sala estava quase cheia e a televisão ligada. As vozes das outras pessoas suplantavam o áudio da TV. Tentou prestar atenção. Murmurou que preferia ver o jornal. Não sabia se tinha mais medo ou mais dor. Aquela menina era eu. Naquela sala de espera, eu era uma criança amedrontada. A cabeça girava. Talvez sentisse mais medo do que dor.

A sala foi ficando cada vez mais cheia. Aquele tipo de situação me constrangia. Resolvi me concentrar e tentar ouvir o barulho da TV. Palhaços. Preferia o jornal.



Meu sono aumentava à medida em que as pessoas eram chamadas. A sala foi ficando vazia. Minha barriga foi ficando gelada. 



Havia um senhor que não parava quieto. Ria, andava. Parecia nervoso. Mais que eu.



Me revirei mais uma vez na cadeira. Cantarolei, mentalmente, uma canção qualquer. Nada adiantava.



Era uma bobagem estar nervosa. Eu já sabia o que o médico ia dizer e que remédio ele me daria. Bendita internet.



Bati meu pé no chão insistentemente. Num piscar de olhos, fiquei só na sala. Comecei a me lembrar daquele sorriso. Por um instante, fiquei tranquila. Por um micro-segundo. E foi o máximo que consegui me acalmar.



Dei um pulo. Não podia me acalmar me lembrando daquele sorriso. Justo AQUELE sorriso. Não era certo. Fiquei ali me censurando por mais alguns instantes. Embebida em meus pensamentos. Ali, sentada naquela cadeira desconfortável, envolta em meus medos. Todos eles. Até que a secretária gritou meu nome. Enfim seria atendida.

sábado, 25 de agosto de 2012

Poema da alvorada


Às vezes, é preciso acreditar no amor
Mesmo quando o mundo parece que vai desabar.
Às vezes, é preciso acreditar no amor
Como é preciso admitir erros e dores.
Às vezes, é preciso acreditar em coisas
Que o mundo parece ignorar.
Hoje, me parece preciso buscar seus olhos
E aquele sorriso tão seu.
Me parece necessário jogar conceitos pro ar
Admitir minha paixão tão reprimida
E ver o lado doce da vida.




P.S.: aí vai uma música pra embalar o dia.

domingo, 19 de agosto de 2012

Você prefere ter razão ou ser feliz?


Juro que procurei no Google pra ver se achava o autor da frase. Parece coisa da Ana Maria Braga ou de um livro de autoajuda qualquer. 

De toda maneira, é uma daquelas frases que parecem falar uma coisa aparentemente profunda, mas analisando bem, não passa de um daqueles clichês que aceitamos sem pensar.

À primeira vista, me parece ser uma das frases pra mostrar que as coisas simples da vida que valem a pena. Ser feliz é mais importante que tudo e blá, blá, blá. Não que eu discorde, mas enfim.

Mas porque diabos tenho que escolher? Por que eu não posso ter os dois? Pra mim, esse negócio de ter isto ou aquilo só fica bem em poema da Cecília Meireles. 

Se eu prefiro ter razão ou ser feliz? Na dúvida, eu fico com a sorte. 

Eu sou controladora, obsessiva, compulsiva. Se eu preciso ter razão? Claro que sim.

Ao mesmo tempo em que sou insegura com relação a relações e pessoas.  Busco a felicidade em cada passo. De forma geral, acho que o ser humano busca a felicidade. Sim, Louro José, eu preciso ser feliz.
Mas se eu não tiver a razão, dificilmente conseguirei ser feliz. Pra mim, razão e felicidade andam juntas.

Pode até ser que a vida não me reserve nem razão nem felicidade, mas no fundo, eu prefiro tentar ter as duas.


segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Razão, sorrisos e olhares


Não sei bem se acredito em destino, sorte, horóscopo e tudo mais. Acho que tudo ocorre por uma razão, tudo tem uma lógica, mesmo que, à primeira vista, a vida não pareça ter sentido.

Imediatamente me lembro de que lágrimas já rolaram na minha face sem eu mesma saber o porquê. Ele tinha mais motivos. Mas e eu?

Ele me ensinou a gostar de brilho nos olhos e sorrisos. Eu passei a procurar os olhos e os lábios dele em todos os lugares. Foi então que ele me disse tchau.

A vida me trouxe e me tirou pessoas. Creio que tudo tem uma razão. Mesmo que eu não saiba qual é. Tudo tem uma lógica. Talvez esta seja divina.

Ele foi o único pelo qual chorei, mas não é ele que tem habitado meus sonhos. Não mais. Ele deu espaço a “um querer- não querer” que vem me atormentando cada vez mais. Ele me disse tchau e meu mundo foi ao chão. Busquei o brilho do seu olhar em outros olhos e acabei achando um sorriso que me faz corar toda vez que vejo.

Olhando de fora, é impossível entender porque eu me apeguei tanto assim. Talvez seja uma dessas coisas que tem uma lógica indecifrável. Talvez a razão seja você.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Ai de mim que sou romântica!


A vida acadêmica me trouxe uma professora um tanto quanto arrogante de sociologia. Deve ter sido a primeira vez que tive uma aula de sociologia de verdade. Uma vez, a tal professora disse que não há pressão da sociedade perante o casamento. Não creio que uma cidade universitária seja assim tão avançada. Talvez ela ache que não pertence ao Brasil. Ou ao planeta Terra.

Sinceramente? Que mulher nunca se sentiu chateada por ser solteira? Acho que é sim muita hipocrisia da sociedade aceitar um homem que nunca quis se casar e ter tanto preconceito em relação às mulheres. Ô fessora, basta só olhar pela janela pra ver que a nossa sociedade é machista sim.

Não sou diferente. Acho que nunca consegui esconder de ninguém que sou romântica. E, sim, eu quero me casar. É óbvio que quando me imagino entrar na igreja, não vejo rosto no “meu noivo”.

A ideia de casamento me tocou vendo o clipe novo do Marcelo Jeneci, Pra sonhar. Um clipe todo fofinho, escancarando felicidade de vários casais por aí.

Hoje de manhã eu acordei de lápis de cor e papel na mão com uma vontade imensa de desenhar... vestido de noiva. Que me desculpem as moderninhas! Eu sou romântica.

Enquanto o lápis corria pelo papel, eu pensava que provavelmente nunca iria usar um vestido como aquele: segundo dados não oficiais, eu acho, existem mais mulheres que homens e desses homens 10% são gays. 

Ou seja, só sobram 90% que são disputados a tapa. Dentre esses, devem existir uns 15% que não querem relacionamento sério. Olhando pro espelho, vejo que existem mulheres muito mais interessantes que eu.  Desculpa aí, galera da autoajuda. Eu penso assim.

No fim só posso concordar com a Rita Lee: Ai de mim que sou romântica.

P.S.:  que tal meu talento desenhístico? hahaha